
PHARMAKON DIGITAL 2025 – Nº 5
Publicação da Rede de Toxicomania e Alcoolismo do Campo Freudiano
DELÍRIO OU TÓXICO
EDITORIAL

DELÍRIO OU TÓXICO
Conversação sobre a droga da apalavra – Marco Androsiglio, Éric Colas, Frédérique Musset-Bilal, Mathilde Braun, Cristóbal Farriol, Coralie Haslé, Pierre Sidon e Tomás Verger. E a participação de Olivier Talayrach (TyA-Paris)
Tóxico ◊ DelÍrio – Nicolás Bousoño, Gustavo Mastroiacovo, Christian Ríos (Argentina)
Tóxico …ou pior – Julien Berthomier e Cécile Peoc’h (Rennes)
O corpo do delírio – José Manuel Álvarez (Barcelona)
Overdose ou delírio ordinário? – Vic Everaert (Bruxelas)
Delírio & tóxico: amputar a voz do Salvador ou servir-se dela? – Pablo Sauce (Salvador)
Abstinências e delírios – Benjamín Silva, Sabina Serniotti, Matías Meichtri Quintans (Argentina)
Do beber ao bebê – Cristina Nogueira (Belo Horizonte)
Perspectivas de uma elaboração coletiva na clínica com toxicomanias – Fabián Naparstek (Buenos Aires)

TEXTO DE ORIENTAÇÃO
A droga da palavra – Jacques-Alain Miller

ESTÉTICA DO CONSUMO
Um delírio de dedução – Aurélia Verbecq (TyA-Suíça)


Marie-Françoise de Munck e Éric Taillandier, com Gloria Aksman, Nelson Feldman, Ève Miller-Rose, Fabián Naparstek, Nadine Page, Giovanna Quaglia e Pierre Sidon
O aforismo de Lacan Todo mundo é louco, quer dizer, delirante, adotado como tema do XIV Congresso da Associação Mundial de Psicanálise, nos tornou sensíveis ao que quer dizer delirar de acordo com a orientação lacaniana. Mais além de qualquer consideração sobre o que é normal ou patológico, delirar é próprio ao ser falante, ao parlêtre. A cada um sua janela para o real, sua ficção, sobre um fundo de impossível de se servir inteiramente do que pulsa em si e transborda numa relação ao parceiro. Essa desarmonia implica um resto fora de sentido com o qual temos que compor. Frente à angústia suscitada pelo excesso de gozo no corpo e o enigma do desejo do Outro, alguns constroem um delírio em sintonia com os discursos herdados ou em voga, ou sonham sua vida em nome de um ideal. Quando não há recurso a nenhum discurso que faça conexão, outros se confrontam com um real invasivo, com o risco de romper com qualquer tentativa de sutura significante.
