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Argumento – 5º colóquio internacional TyA

O sexual e a droga

Função das adicções frente à não-relação sexual

27 abril, 14h-18h, por vídeo a partir da ECF

Argumento

Como considerar o consumo de drogas ? Lacan responde : « não há nenhuma outra definição da droga a não ser esta : é o que permite romper o casamento com o pequeno-pipi »(1). Consideremos portanto, com Lacan, que a droga tem uma função. A esse título, ela se apresenta aos consumidores como uma solução.

Esta definição esclarece e orienta a prática psicanalítica no campo da toxicomania e do alcoolismo, que se estende hoje às adicções – adicções a uma substância (drogas, álcoois, medicamentos…), a uma atividade (jogos de apostas ou vídeo, pornografia, sexo, esporte…) ou combinações das duas.

Usos sobre o fundo de não-relação sexual

A droga, o álcool e as adicções se apresentam como solução, mas a que ? Lacan, no seu último ensino, chega a afirmar : Não há relação sexual. Esse aforismo é o tema colocado a trabalho pelo XVo congresso da Associação mundial de psicanálise. Ele constata que, diferentemente dos animais, para o ser falante, mais precisamente para o falasser, não há relação sexual que possa se escrever, não há modo de usar que lhe diga como fazer casal. Isso não exclui que ele possa inventar modalidades relacionais com o outro, sempre sobre o fundo desta não-relação. O amor, por exemplo, « dá a ilusão da relação sexual »(2).

O consumo de drogas e as adicções aos diversos objetos que a expansão da técnica multiplica, tentam responder à relação sexual que não há ? Esses usos são próteses ? Alguns interferem com a relação com um parceiro, ou chegam a  substituí-lo ?

Novos arranjos e consequências

Como ler a definição da droga por Lacan ? La droga permite romper com o órgão (o pequeno-pipi de Hans ao qual se refere Lacan) ? Com o corpo ? Com o gozo fálico ? Com o efeito de afeto, frequentemente de angústia, que produz no corpo, tanto a questão do desejo do Outro quanto as respostas do sujeito a ela(3) ? E o que acontece com o gozo além do falo ? com o gozo deslocalizado ?

A prática do chemsex, difundida na era contemporânea, pretende facilitar o acesso ao gozo – qual ? Qual satisfação fornecem as práticas aditivas ? A partir da indicação, dada por Jacques-Alain Miller, da toxicomania como « insubordinação ao serviço sexual(4) », como pensar a relação entre a droga e o sexual ?

Entre satisfação e fracasso, que mediações com o Outro sexo permitem as adicções em nossa época ? Rupturas, relações, insubmissões, invenções, remendos, amarrações, trançados, emendas… Esta gama infinita convida o analista ou o praticante orientado pela psicanálise lacaniana a precisar, em sua prática de consultório ou em instituições de tratamento, como considerar cada solução singular.

Interrogaremos, caso por caso, esses novos « arranjos » e suas consequências no laço social de nossa época, para repensar nossa prática que leva em conta a não-relação sexual.

Comissão científica:
Nicolas Bousoño, Jean-Marc Josson, Pierre Sidon, Jésus Santiago,  coordenada por Fabián Naparstek

1 Lacan J., « Encerramento das Jornadas de cartéis da Escola freudiana de Paris » (1976), Pharmakon, n°2, 2016, pharmakondigital.com.
2 Miller J.-A., « Há, não há », in Scilicet 2026. Não há relação sexual, p. 29.
3 Cf. « Em direção ao Congresso da AMP 2026 – A ruptura com o falo », Pharmakon, n°5, 2025, pharmakondigital.com.
4 Miller J.-A., « A droga da palavra », Pharmakon, n°5, op. cit.
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